Quando um carro sai de fábrica, sua chapa de aço é protegida por uma brilhante e dura
camada de tinta que tem algo entre 60 e 80 mícrons (1 mícron = 1 milésimo de milímetro) de
espessura. Esta camada é normalmente dividida em cerca de 20 mícrons para o 'primmer' que é
a base da tinta e que permite a adesão da tinta à chapa de aço, e cerca de 40 mícrons para a
tinta propriamente dita. No caso de tintas metálicas e perolizadas existe ainda um última camada
de verniz incolor (clear cote).
Esta fina camada de menos de 1 décimo de milímetro dá ao carro a aparência brilhante que esperamos ver,
e ainda protege o aço contra a corrosão. A tinta brilha pois é, dentro do possível, absolutamente
lisa e sem irregularidades, pois o que se apresenta para o nosso olho como brilho, é na verdade
a reflexão dos raios de luz incidentes sobre a tinta e refletidos para os nossos olhos. Quanto
mais uniformes e paralelos entre si estes raios refletirem, mais 'brilhante' será a sensação
percebida por nossos olhos. Um exemplo quase perfeito de brilho seria um bom espelho plano onde
os raios luminosos são refletidos de forma bem uniforme e sem distorções, e ao contrário, como
exemplo de pouco brilho podemos usar uma folha de papel, onde a superfície rugosa não reflete de
forma coerente os raios de luz incidentes, dando a aparência fosca.
Desgaste
Após um serviço de pintura de boa qualidade, o que esperamos receber ao comprarmos um
carro novo, a pintura está lisa como mostrado na primeira ilustração e reflete os raios de
luz de forma adequada a um bom brilho. Infelizmente, ao deixar a fábrica a pintura começa a
receber o ataque de poluição, raios infravermelhos e ultravioleta, chuva ácida, panos e
escovas de lava-rápidos, detergentes, etc. O resultado disso é que, com o tempo, a pintura
lisa e brilhante vai ficando com pequenas irregularidades (micro-imperfeições, riscos e
ondulações), comprometendo a reflexão da luz, e com isso o brilho.
Isto pode ser observado na segunda ilustração acima, descrita como pintura desgastada.
Polimento
O que normalmente se faz para devolver o brilho à pintura do carro, é através do
uso de polidores, remover uma pequena camada de tinta, de modo a devolver à pintura
a aparência lisa. O grande problema desta operação, é que os polidores são
abrasivos, isto é, são substâncias muito duras, geralmente óxidos metálicos,
capazes de arrancar, por atrito, partículas da tinta. Este processo de abrasão
pode ser intensificado ainda mais pelo uso de máquinas politrizes. Ao final do
processo de polimento uma pequena camada de tinta foi removida, devolvendo à
camada externa a aparência original e brilhante. Isto pode ser observado na figura
abaixo, onde deve-se ver também que a espessura da camada de tinta foi reduzida.
Fica claro que este é um processo limitado e que somente deve ser usado nos casos mais graves e sempre tendo em vista que somente
poderá ser usado um certo número de vezes, que depende de inúmeros fatores, não existindo um
certo número tolerável de polimentos.
Cera: alternativa mais comum
Uma outra alternativa muito usual é o uso de ceras para a cobertura da camada pintada. A cera mais usual
para esta finalidade é a cera de carnaúba, oferecendo boa transparência e durabilidade.
Existem ainda no mercado ceras aditivadas com polímeros sintéticos que aumentam de forma
considerável a sua vida. A finalidade da cera é preencher as irregularidades criadas sobre a
superfície pintada pela ação do tempo, reproduzindo o brilho da tinta nova como pode ser
observado na terceira ilustração. Ao contrário do polimento, a cera não remove a tinta por
abrasão, sendo portanto inócua à pintura, e ao contrário do polimento, por produzir um filme
sobre a tinta, protege-a dos ataques. Uma camada pintada protegida por cera, e mantida desta
maneira por enceramentos regulares, evita ou posterga a necessidade de polimentos. Existem
ainda ceras combinadas com polidores leves que não chegam a remover a camada pintada pois são
muito pouco abrasivas. São boas para tintas com uma certa idade pois permitem a remoção leve de
uma camada de tinta já oxidada, facilitando também a remoção de sujidades aderidas à pintura.
Além disso, existem no mercado os chamados cristalizadores. Enquanto o termo cristalização é usado
de forma absolutamente aleatória no mercado, significando deste um mero polimento até a aplicação
de agentes 'cristalizadores', a cristalização propriamente dita é a aplicação de compostos, tipo
teflon e/ou silicone que apenas protegem a pintura e outros que reagem com a pintura, geralmente
a base de flúor, e que formam um filme duro sobre a camada pintada. Não recomendo este último pois
esta camada dura pode trincar dando a aparência de pele de crocodilo à pintura, sendo a sua
remoção bastante difícil.
O ideal é encerar o carro assim que retirá-lo da revenda, garantindo desta forma a proteção da
pintura original, e novamente encerá-lo cada vez que ao jogarmos água sobre a pintura não
pudermos observar as 'bolinhas' de água características da cera. Uma pintura permanentemente
mantida protegida com cera dificilmente exigirá polimento. Caso o seu carro já tenha perdido o
brilho, deve-se providenciar um polimento com o abrasivo (massa de polir) mais fina possível,
providenciando uma boa encerada após o polimento. A partir deste ponto fazer como na pintura nova,
mantendo o enceramento regular para evitar a necessidade de novo polimento.
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